Promover o bem-estar físico, mental e social dos funcionários em seu exercício laboral. Esse conceito foi cunhado em 1950, quando a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em conjunto com a Organização Mundial de Saúde (OMS), definiu este como sendo o objetivo básico da saúde ocupacional.

Sendo assim, por definição, a saúde ocupacional está diretamente ligada aos aspectos de segurança, saúde e qualidade de vida no local de trabalho – e tem o objetivo de fazer a prevenção de problemas que podem colocar a saúde e segurança de um (ou vários) colaboradores em risco – sejam eles de ordem física ou mental. 

Mas por que a saúde é tão importante para empresas? A resposta é simples: quando as empresas se importam com o bem estar de seus colaboradores, conseguem encontrar maneiras de reduzir riscos em torno das atividades desenvolvidas e ganhar em produtividade da equipe.

E então, ficou curioso para entender melhor sobre a importância de programas de saúde ocupacional nas organizações e seus benefícios, além de conhecer 6 dicas super importantes para a manutenção da saúde dos colaboradores? Continue a leitura!

Qual a importância de um programa de saúde ocupacional nas organizações?

Investimentos em saúde garantem o bem-estar e produtividade dos colaboradores.

Para além de prevenir acidentes ou enfermidades entre os colaboradores, por meio de programas de saúde preventiva, por exemplo, um bom programa de saúde ocupacional também é capaz de gerar engajamento entre a equipe, criando melhores condições de convivência no ambiente de trabalho e de produtividade. 

E, claro, estrategicamente, é bem melhor prevenir do que remediar.

Mas quando se fala em saúde ocupacional, não estamos falando em ações “extras” para o bem estar dos funcionários. 

Também devem ser observadas as condições gerais de trabalho, que abrangem outros determinantes importantes, incluindo horário de trabalho, salário, políticas no local de trabalho relacionadas a licença maternidade, provisões de promoção e proteção à saúde e outros.

Como está o mercado

Em uma pesquisa realizada pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) em 2016, cerca de 72% das 500 médias e grandes empresas ouvidas disseram dar alta atenção à saúde e segurança do trabalhador. 

Entre os motivos que as levaram a atuar desta forma estão fatores como a maior preocupação com o bem-estar do empregado, a maior conscientização das empresas e a necessidade de prevenir acidentes.

De acordo com a pesquisa, esse investimento proporciona uma economia financeira para a empresa, diminui a taxa de absenteísmo, aumenta a produtividade e reduz os custos finais de produção. 

Ainda segundo a pesquisa, a maioria das empresas ouvidas diz realizar programas de promoção da saúde de trabalhadores que vão além do cumprimento de requisitos legais. 

Entre as principais ações estão a gestão dos afastamentos por doenças, executada por 87,8% das indústrias, e o monitoramento de aspectos ergonômicos no ambiente de trabalho, feito por 84% dos empreendimentos.

Principais doenças ocupacionais

Confira, a seguir, algumas das doenças laborais mais comuns na atualidade e veja também que medidas preventivas adotar para aperfeiçoar os cuidados com a saúde ocupacional.

Síndrome de Burnout

A síndrome de burnout foi recentemente classificada como doença ocupacional. Segundo o Ministério da Saúde, ela é “um distúrbio emocional com sintomas de cansaço extremo, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastantes, que demandam muita competitividade ou responsabilidade”.

As suas causas são justamente o excesso de trabalho e a falta de valorização por parte da empresa. Para evitar esse distúrbio, o colaborador deve ter sua vida pessoal fora da empresa, ter momentos de lazer, realizar atividades físicas regularmente e fazer atividades que saiam da rotina, como ir a restaurantes e ao cinema.

Para isso, a empresa deve entender que o colaborador possui sua vida fora do trabalho e não demandar tantas horas extras ou colocar muita pressão para eles baterem as metas. 

LER – Lesão por Esforço Repetitivo

Embora as lesões por esforços repetitivos estejam associadas à função desempenhada pelo trabalhador, elas são classificadas como doenças ocupacionais — provocadas por atividades que envolvem movimentos repetitivos e prolongados.

De modo geral, a LER pode limitar, gradativamente, a capacidade do colaborador em executar suas atividades. Justamente por isso, muitos indivíduos acometidos nem sequer percebem os sintomas da doença, o que, por sua vez, pode levar a uma aposentadoria por invalidez na maioria dos casos graves.

Portanto, para evitar esse tipo de intercorrência se deve viabilizar períodos de pausa, a fim de interromper a repetição de movimentos. Uma boa dica para promover a saúde ocupacional física e mental é aproveitar esses momentos para descansar e praticar ginástica laboral.

Dermatose Ocupacional (DO)

Outra doença do trabalho muito comum é a chamada “Dermatose Ocupacional”. Caracterizada por alterações da pele e da mucosa, ela está associada direta ou indiretamente à presença de agentes químicos e/ou biológicos decorrentes da atividade ocupacional ou do ambiente em que estão inseridos os colaboradores.

Dentre os exemplos mais comuns dessas substâncias, destaca-se o uso de graxas e óleos lubrificantes. Estes, por sua vez, podem causar danos à pele que vão desde uma simples dermatite de contato até infecções mais graves ou o desenvolvimento de câncer de pele. 

Dessa forma, a prevenção da Dermatose Ocupacional passa rigorosamente pelo uso adequado de EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual). Ademais, quando afetados, os trabalhadores devem ainda receber tratamento adequado, o que incorre, em grande parte dos casos, no seu afastamento do trabalho.

Asma Ocupacional

O contato com substâncias tóxicas ou potencialmente alérgenas pode desencadear, sobretudo em trabalhadores mais suscetíveis, graves alergias. De tais reações alérgicas, surge a Asma Ocupacional.

Via de regra, essa condição está associada à dificuldade respiratória provocada pela obstrução das vias respiratórias. Neste caso, o problema pode ter origem na inalação de partículas de madeira, borracha, algodão e diversos outros tipos de materiais.

Portanto, a prevenção de riscos contra essa doença respiratória passa diretamente pelo emprego correto dos EPI’s. No entanto, caso a doença já esteja instalada, o trabalhador também deve ser afastado de áreas em que há risco de contato com esses agentes.

DORTs – Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho

Muitas vezes reportado como uma Lesão por Esforço Repetitivo, os DORTs (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) são causados pela manutenção prolongada de uma postura inadequada.

Decorrente dela, o indivíduo pode apresentar dores crônicas que, ao não serem corretamente tratadas, poderão evoluir para problemas mais graves e, no longo prazo, causar a invalidez do profissional. 

Dentre os principais exemplos desta condição se destacam as dores crônicas, tendinites, bursites, mialgias, etc. Assim sendo, a prática de exercícios físicos regulares é uma excelente alternativa para combater tais problemas.

Em geral, isso ocorre porque as atividades físicas possibilitam um maior fortalecimento muscular, bem como facilitam a postura durante o trabalho. Consequentemente, a probabilidade de desenvolver qualquer uma dessas condições é menor.

Surdez temporária ou definitiva

Por fim, a perda de audição em caráter temporário ou definitivo é também uma doença ocupacional de grande relevância. Causada pela exposição prolongada a ruídos altos, pode levar o trabalhador à perda gradativa da acuidade auditiva.

Tal como ocorre na maioria das doenças ocupacionais, porém, trata-se de um problema que pode ser evitado ao adotar cuidados simples, como o uso de EPI’s. Logo, para funções que ofereçam riscos à audição, é indispensável o uso de protetores auriculares durante a jornada de trabalho.

Como prevenir a ocorrência dessas doenças?

Hoje em dia, a responsabilidade do departamento de Recursos Humanos é cada vez maior. Sendo assim, além de incumbências relacionadas à vida laboral do trabalhador, compete ao RH atuar pontualmente em aspectos que afetam sua produtividade — incluindo a saúde ocupacional.

Para evitar a ocorrência de doenças do trabalho, portanto, seguem algumas ações preventivas que podem ser colocadas em prática:

Treinamentos especializados

Em grande parte, as doenças laborais ocorrem pela falta de conhecimento em relação à adoção de medidas preventivas. Sendo assim, treinamentos especializados são maneiras simples e eficazes para encorajar o trabalhador a cuidar de sua própria saúde.

Afinal, por meio deles é possível fornecer as ferramentas necessárias, tal como o conhecimento básico sobre o que fazer para proteger sua postura, por exemplo, ou, ainda, evitar práticas que possam afetar a saúde dos colaboradores durante sua rotina.

Rotinas de descompressão

Outro aspecto que deve ser motivado no ambiente de trabalho está estritamente associado à definição de momentos de desconexão do trabalho. Nesse contexto, dentre as práticas mais comuns para minimizar a pressão pela busca de resultados, destaca-se a realização de sessões de terapia, ginástica laboral, meditação e até mesmo aulas de yoga.

Incentivo à realização de exames médicos

Por fim, os gestores de RH podem também estabelecer sistemas de acompanhamento médico periódico, a fim de minimizar a ocorrência de doenças do trabalho. Afinal, ainda que diversos cuidados sejam observados em relação à saúde ocupacional, incluindo a oferta de planos de saúde, esse tipo de ocorrência pode simplesmente acontecer.

Em conformidade com a lei

Outro ponto fundamental para que as empresas invistam na saúde e segurança dos trabalhadores é a obrigatoriedade legal.

A principal regulamentação foi criada em 1977, com a Lei nº 6.514/77, que inseriu o capítulo V – “Da segurança e da Medicina do Trabalho” – na Consolidação das Leis Trabalhistas. Nela, foram estabelecidos os parâmetros a serem avaliados pelos órgãos regulamentadores para garantir que o ambiente de trabalho esteja voltado para o bem-estar do trabalhador.

Um ano depois, a legislação ficou ainda mais incisiva com a criação das Normas Regulamentadoras (NRs – Portaria nº 3.214/78). 

São essas normas que determinam a implantação em todas as empresas, de qualquer porte ou natureza, do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO).

Benefícios no curto, médio e longo prazo

O que algumas companhias podem ver, num primeiro momento, como um gasto extra de obrigatoriedade legal, deve ser encarado, na verdade como um investimento que traz benefícios de curto, médio e longo prazo.

Ao anunciar medidas para melhoria da saúde dos colabores – que podem variar entre um programa de incentivo de alimentação saudável, prática de exercícios físicos até ações preventivas, como vacinação, por exemplo, a companhia ganha imediatamente em engajamento da equipe

No médio prazo, os efeitos dessas práticas têm impacto na redução do absenteísmo, das licenças médicas de curta ou média duração e na melhor produtividade dos indivíduos. 

Já no longo prazo, na medida em que as ações se consolidam, elas passam a fazer parte da cultura da organização, deixando-a mais atrativa no mercado

Há, ainda, os ganhos financeiros, na medida em que ações de prevenção em saúde acabam por reduzir ausências de funcionários e aumentar a produtividade.

Além disso, prezar por um bom ambiente de trabalho torna-se essencial para, além de garantir a saúde e segurança no trabalho, aumentar a produtividade e garantir diversos benefícios a corporação. Entenda melhor abaixo.

Um bom ambiente de trabalho: invista nele

Para que os programas de saúde ocupacional sejam eficazes deve-se estar atento ao espaço e ambiente corporativo. 

A organização do ambiente de trabalho é um dos pilares essenciais para manter uma empresa com alta produtividade. Afinal, um bom ambiente de trabalho determinará a qualidade de vida dos membros da equipe. 

Sendo assim, um ambiente bem planejando – em que as características das funções a serem desempenhadas pela equipe são levadas em conta, traz muito mais resultados em termos de produtividade do que espaços mal projetados ou improvisados (e que podem, sobretudo, colocar em risco a segurança dos colaboradores de uma companhia).

Com isso, é extremamente importante que a empresa tenha por certo e definido quais são as condições sociais, físicas, culturais e espaciais que representarão o seu espaço corporativo. 

Num escritório, por exemplo, é preciso proporcionar à equipe móveis de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Isso significa, por exemplo, em ter mesas, computadores, de acordo com altura e espaço para o desenvolvimento da função de maneira confortável e sem risco de lesões.

Ainda, há outros fatores a serem observados, como a temperatura do ambiente, normas de segurança contra incêndio, fácil acesso a saídas de emergência, acesso para deficientes, entre outros cuidados básicos descritos em lei.

Mas, afinal, como garantir de forma efetiva a saúde ocupacional dos colaboradores?

Ao formular um programa de saúde ocupacional, há que se ter em mente que as ações implantadas precisam fazer sentido para o ambiente das equipes. 

Observar não apenas as questões de ordem ambiental, mas possíveis desgastes mentais que podem advir da prática profissional (como a síndrome de Burnout, por exemplo) e buscar orientação profissional para saná-los é fundamental para ações bem sucedidas.

De forma geral, há questões importantes que devem ser incentivadas e implementadas nas organizações. Nesse sentido, acompanhe nossas recomendações a seguir: 

Confira dicas 6 dicas importantes

1. Invista em campanhas internas

É importante, ao implementar um programa de saúde ocupação, buscar formas de mobilizar o time em torno do tema. Para isso, invista na criação de campanhas para criar engajamento. 

É possível criar um cronograma com campanhas temáticas para impactar todos os funcionários, como ações de combate ao diabetes, prevenção do câncer, alimentação saudável, etc.

2. Incentive a boa alimentação

Impossível falar sobre saúde sem falar em alimentação, certo? É importante sempre promover a adoção de hábitos alimentares saudáveis e conscientizar os colaboradores sobre os problemas adquiridos quando se tem uma dieta inadequada.

Se o funcionário adota uma alimentação equilibrada e saudável, o seu organismo processa os nutrientes ingeridos e fornece a quantidade de energia ideal para que ele possa executar com eficiência as tarefas do dia a dia.

3. Promova a prática esportiva

Além da tão requisitada ginástica laboral, existem outras opções que auxiliam na saúde ocupacional e geram maior interesse por parte dos colaboradores. 

É possível incentivar programas de caminhadas e corridas com os colaboradores, criar parcerias com academias de ginástica e grupos de yoga ou meditação, por exemplo. Tudo para garantir o fácil acesso à prática de exercícios físicos. 

Essas atividades podem ajudar no relaxamento e no combate ao estresse entre a equipe. 

4. Implementar campanhas de vacinação 

Essa é uma ação bastante eficaz e que tem sempre alta adesão nas companhias. Além de manter a imunização da equipe em dia, previne que eles sejam acometidos por surtos de doenças perfeitamente evitáveis. 

5. Dê atenção à saúde mental 

É fundamental que os programas procurem abordar e encarar o desafio de colocar em prática ações que promovam continuamente a saúde mental aos trabalhadores.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o princípio para se construir um ambiente de trabalho saudável é pensar em programas que levem em consideração as seguintes abordagens para o equilíbrio mental:

  • Reduzir os fatores de risco provenientes do trabalho, como carga horária excessiva, insegurança de desemprego e relações tóxicas;
  • Desenvolver iniciativas que motivem e valorizem os funcionários;
  • Falar sobre e mostrar apoio às pessoas que passam por doenças mentais, não importando a sua causa.

6. Ouça as demandas da equipe

A medida de sucesso de uma ação está em oferecer o que público-alvo precisa. 

Então, ouça o que os seus colabores têm a dizer por meio de pesquisa de opinião internas – e, claro, na medida do possível, dê voz a eles e implante no ambiente de trabalho as ações que também façam sentido para a companhia.

Em resumo, ao investir em ações para melhorar o ambiente de trabalho e a saúde da equipe, as companhias criam melhores condições de trabalho e rendimento. E os resultados disso, para além da maior produtividade, é o convívio harmonioso no dia a dia, onde ganham todos os envolvidos.

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Por: Flávia Padilha

Psicóloga e especializada no Canadá em mercado e negócios, Flávia atuou por 8 anos na área de RH em treinamento e desenvolvimento de empresas. Na equipe iFood, trabalha com suporte psicoterapêutico, treinamentos, palestras sobre saúde mental e emocional e orientações de gestão. Acredita que bem-estar e saúde emocional são um dos alicerces do ser humano para alavancar suas histórias de sucesso, tem o desejo de sempre ajudar os colaboradores a encontrar seus potenciais e o equilíbrio. Flávia é mãe e, nas horas vagas, dançarina, amante de exercícios ao ar livre e boa ouvinte de histórias e pessoas.

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Comentários

  • Samuel Oliveira Santos

    setembro 12, 2021 | 3:09 pm

    Foi ótimo ter feito essa pesquisa onde tive esse conhecimento sobre , a saúde ocupacional, a Sra Trevisan desejo muita paz , saúde e felicidades.