É bastante comum que, no início de um projeto – ou de uma empresa – os gestores estejam inicialmente muito mais preocupados com questões imediatas, sem gastar muito tempo olhando para o futuro.

Contudo, se num primeiro instante a (falta de) estratégia pode fazer com a empresa decole e obtenha bons resultados, num segundo momento a falta de um plano de voo pode comprometer o desenvolvimento.

E é aí que está a importância do planejamento estratégico. Se antes de colocar as mãos à obra o gestor não trabalhar em um projeto estruturado, uma empresa dificilmente vai deslanchar e alcançar todo o seu potencial. 

Sim: planejar, definir objetivos e metas são pontos fundamentais para o desenvolvimento de uma empresa. Continue a leitura e entenda melhor!

Mas, afinal, o que é planejamento estratégico?

O planejamento estratégico tem como principal objetivo definir uma direção para a empresa. 

O planejamento estratégico envolve uma análise do passado, do presente e traça os caminhos que a organização precisará percorrer para conquistar seus objetivos no futuro. Um bom planejamento está diretamente ligado a uma boa gestão empresarial

É preciso ter em mente que o planejamento estratégico é um processo bastante diferente do gerenciamento de projetos, geralmente utilizado para o manejo de projetos individuais. 

Assim como também é distinto do mapeamento de processos – ação que ajuda na atribuição de tarefas a uma equipe tendo em vista o atendimento aos requisitos de entregas específicas, sejam elas para os clientes ou demandas internas de uma empresa.

O planejamento estratégico é mais completo. Entenda as vantagens

A partir dele é possível criar um plano de trabalho seguindo os objetivos a serem alcançados. Ele também ajuda a direcionar os esforços, criando um cenário mais favorável para que uma empresa defina melhor suas iniciativas para o curto, médio e longo prazo.

E mais: o planejamento estratégico é uma ferramenta que, na prática, vai auxiliar o gestor a fazer melhores escolhas nos processos gerenciais. Além disso, ajuda a buscar as escolhas certas para cada tipo de negócio e, com por meio de boas escolhas provenientes de um bom planejamento, a comunicação corporativa entre toda a rede é muito mais assertiva. 

Outro benefício é que o planejamento estratégico representa um diferencial bastante competitivo para a criação de cenários projetados com base em indicadores econômicos e financeiros.

Entenda: sem objetivos definidos de forma clara, uma empresa tende a ficar vulnerável aos ataques de concorrentes mais experientes. Sem contar que pode, também, acabar parte das estatísticas e ter que encerrar as atividades com pouco tempo de vida.

O queridinho das empresas modernas

Nos últimos anos, as organizações vêm sofrendo mudanças frequentes em seu modelo de gestão organizacional. O aumento da competitividade e da globalização vem exigindo cada vez mais das instituições. 

Num mundo em constante evolução, em que as tomadas de decisões devem acontecer rapidamente para acompanhar o ritmo do mercado, é fundamental para uma companhia ter bases e diretrizes sólidas. 

E, dessa forma, garantir que os principais tomadores de decisão de uma empresa tenham uma sólida compreensão das questões-chave em torno do negócio.

Para que tenha bons resultados, o planejamento deve respeitar alguns princípios. Feito de forma correta, ele provoca modificações nas pessoas, na tecnologia e no sistema como um todo, gerando ferramentas organizacionais preciosas para gestores e equipes.

Questões cruciais: os princípios

Os pilares do planejamento estratégico devem estar alinhados aos objetivos da empresa.

O princípio do processo de planejamento estratégico está em começar a delinear as características de determinada organização. Ou seja, a definição da identidade organizacional composta pela Missão, Visão e os Valores de uma empresa.

Para tanto, os gestores encarregados de definir o planejamento organizacional devem começar respondendo às seguintes perguntas: 

  • Qual a razão pela qual a empresa existe? (Missão)
  • Onde a empresa quer chegar a longo prazo? (Visão)
  • Quais os princípios que guiam a empresa e quais não abre mão? (Valores)

É importante destacar que é fundamental que a Missão, a Visão e os Valores estejam sempre presentes na cabeça dos colaboradores. Esse é um ponto crucial para as contratações futuras, plano de carreira crescente e para a gestão estratégica de pessoas e para a gestão organizacional da empresa como um todo.

Responder a essas questões é apenas o primeiro passo do planejamento. Confira.

As fases do planejamento estratégico: 

Existem algumas fases cruciais para um planejamento estratégico efetivo

1. A primeira fase, como explicada acima, é a declaração da Visão, Missão e Valores do negócio

Como se posicionar no mundo é uma questão crucial. Qual o propósito da empresa? Como ela vai se relacionar com as questões que a cercam? 

2. Análise do ambiente externo para levantamento de oportunidades e ameaças

Para isso, fazer uma análise SWOT pode se apresentar uma ferramenta muito interessante, gerando uma visão bastante completa do panorama que a companhia vai encontrar. 

Além disso, por meio dessa análise será possível identificar as Forças, as Fraquezas, as Oportunidades e as Ameaças ao seu negócio.

3. Formulação de metas e objetivos

Procure estabelecer objetivos específicos, mensuráveis, alcançáveis e com prazo bem definido.

4. Definição da estratégia

Liste, um a um, os passos para chegar aos objetivos. Seja detalhista, analise e planeje.

5. Compilação do planejamento estratégico

Organize as informações do planejamento para que ela seja acessível para consultas e esteja sempre à mão.

6. Implantação e implementação

Hora de trazer ao jogo todos os envolvidos, ou seja, desenvolver o planejamento tático e operacional (explicaremos melhor os conceitos mais abaixo).

7. Feedback

Busque feedback. É preciso saber ouvir

Para qualquer cargo e tipo de liderança, vale buscar esse retorno com o colaboradores, com os clientes e fornecedores. A escuta atenta traz crescimento na medida em que são apontadas questões que passaram despercebidas.

8. Controle

Tenha métricas de controle e análise, não será possível avaliar um planejamento sem isso.

Atualmente, o mercado dispõe de um grande número de ferramentas – automatizadas ou não – para mensuração de resultados. E você também pode criar a sua própria forma de fazer esse controle, sempre de olho nas diretrizes do planejamento estratégico.

9. Reanálise

Periodicamente, busque olhar novamente para o planejamento. Ele ainda faz sentido diante do cenário atual? 

Vivemos em um mundo em constante mudança, e não deve-se ficar preso às metas sem que elas estejam em sintonia com o entorno.

10. Redefinição

O mundo empresarial está em constante mudança e a tecnologia traz novas formas de trabalhar a cada instante. 

Pensando nisso, é preciso estar aberto para as novidades e saber como aproveitá-las de uma maneira positiva.

Após a reanálise do planejamento realizada acima, redefina ações se considerar necessário. Mas faça isso sempre com base em dados, em análises do cenário. 

Os tipos de planejamento mais usados

Muitos teóricos da área de gestão já estabeleceram modelos de planejamento estratégico para serem seguidos pela empresas.

Agora que você entendeu as fases do planejamento estratégico, confira quais são os tipos mais utilizados.

1. Balanced Scorecard 

Um dos tipos de planejamento estratégico mais usados atualmente é o chamado Balanced Scorecard, ou BSC, criado por Robert Kaplan e David Norton, da Harvard Business School.

Segundo essa metodologia, devem ser levadas em conta quatro perspectivas para seu negócio – a para cada uma, devem ser definidos também objetivos.

Para colocar em prática essa metodologia é necessário responder a algumas questões.

Perspectivas do Balanced Scorecard

  1. Perspectiva financeira: quais são os objetivos financeiros que devemos atingir para obter o crescimento desejado?
  2. Perspectiva dos clientes: como atender melhor nossos clientes para aumentar rendimentos?
  3. Perspectiva dos processos internos: como maximizar nossos resultados por meio dos nossos processos internos?
  4. Perspectiva de aprendizagem e crescimento: como melhorar nossos processos e, de quebra, aumentar a satisfação dos clientes e a rentabilidade?

A partir de respostas bastante elaboradas a essas questões, defina um plano de ação – que terá como apoio um mapa estratégico. 

Esses mapas mostram como cada uma das perspectivas se entrelaçam a outras, contribuindo para que se atinjam os objetivos financeiros. 

Assim, a empresa maximiza resultados em seus processos internos para atender às necessidades dos clientes e, com isso, obtém também rentabilidade no processo. Ao final, todos ganham.

 2. Situacional (PES)

Criado nos anos 70 pelo economista chileno Carlos Matus, esta abordagem leva em consideração o momento atual da empresa e busca determinar formas mais flexíveis para lidar com os desafios que se apresentam. 

Ao optar por essa forma de planejamento, é preciso definir alguns pontos importantes para desenvolvê-lo. 

Identificar os problemas

É o chamado ponto explicativo, quando o gestor deve buscar identificar quais os pontos que apresentam problemas na empresa. A partir daí, é determinada uma ordem de prioridade e, em seguida, deve descrevê-las detalhadamente. 

É necessário ir além da análise fria dos números e dados estatísticos. 

Criar cenários

No ponto chamado normativo, os gestores devem, então, determinar o que aconteceria com o negócio se tudo corresse da forma como planejado. Assim, se tudo colaborar para o plano dar certo, qual seria o resultado da empresa?

O que pode dar errado?

Esse é o momento estratégico mais importante. Nesse ponto é preciso se distanciar um pouco do processo e buscar as possibilidades que podem fazer com que o plano original dê errado. 

Ter em mente algumas questões pode ajudar bastante.

  • O que poderia dar errado na implementação?
  • Há contradições entre os objetivos?
  • A empresa tem todos os recursos que precisa para atuar com o plano?
  • A proposta é de fato viável?

Ao responder essas questões, é preciso levar em conta fatores externos, como a conjuntura econômica, a situação política, fatores estruturais, de mercado, fiscais e outros.

Executar

Depois de todas as análises e planejamentos, chega o momento crucial para qualquer empresa. É tempo de executar. É a hora de testar se os modelos criados são válidos e funcionam. 

É importante se atentar às situações e, caso necessário, se adaptar a elas, conforme os momentos anteriores deram as indicações de como agir.

Colocando o planejamento estratégico em prática

Agora que você entendeu como funciona o planejamento estratégico, vamos falar um pouco sobre as ferramentas para colocá-lo em prática. 

Essa é a hora de pensarmos no planejamento operacional e tático anteriormente mencionados.

Em resumo, no planejamento operacional é o momento de focar nas ações que devem ser tomadas para que os objetivos definidos sejam alcançados. Aqui o foco são os responsáveis por executar as atividades no curto prazo, entre 3 e 6 meses.

Já o planejamento tático diz respeito à maneira de execução de  toda a estratégia definida pela empresa. Para tanto, as ações devem ser pensadas em médio prazo e distribuídas entre os times responsáveis. 

Ou seja: a partir do detalhamento do planejamento estratégico, passamos à prática.

Para isso, o próximo passo é operacionalizar as ações e definir como elas serão executadas. O objetivo aqui é especificar as responsabilidades de cada colaborador e os recursos necessários para colocar as ações em prática.

E como fazer isso? Bem, a ferramenta 5W2H pode ajudar bastante.

5W:

  1. What = o que fazer?
  2. Why = por que fazer?
  3. Where = onde fazer?
  4. When = quando fazer?
  5. Who = quem vai fazer?

2H:

  1. How = como fazer?
  2. How much = quanto custa fazer?

Atenção: para que o planejamento seja seguido com eficiência é necessário uma boa gestão

Não basta apenas fazer um bom planejamento estratégico sem, no entanto, ter condições de colocá-lo em prática. Ter uma equipe apta, em sintonia, que pensa em soluções inovadoras e criativas para empresa e seus objetivos é primordial.

Mas não é só isso. Sobretudo, é preciso estar constantemente acompanhando os resultados, equilibrando e reavaliando o planejamento. 

É preciso que ele esteja, como citado anteriormente nas fases do planejamento estratégico, de fato integrado ao dia a dia da empresa e dos colaboradores para que os resultados esperados sejam obtidos. Além disso, um bom planejamento estratégico aumenta e melhora a perspectiva de qualidade de vida no trabalho dos colaboradores.

Assim, a partir do planejamento estratégico, deve-se colocar em prática, também, uma gestão estratégica que passe por todas as áreas da empresa: produção, vendas, marketing, gestão de pessoas, projetos e financeiro.

3 dicas que irão lhe auxiliar na gestão estratégica

  1. Contar com informações confiáveis é primordial. Por isso, faça pesquisas com seu público e também com seus colaboradores. Busque avaliar frequentemente o mercado e como concorrência se comporta. Use dados para se basear em tudo o que for fazer.
  1. Crie rotinas de análise de dados. Verifique o desempenho da empresa. Veja como e onde pode melhorar e como fazer isso, estabelecendo objetivos e métricas de acompanhamento dos resultados. E, a partir dos resultados, estabeleça ações.
  1. Lance mão de estratégias de marketing. Mais do que nunca é preciso se comunicar com seu público, e saber como chegar a ele é peça-chave no processo. Utilize as ferramentas de marketing disponíveis no mercado de forma correta.

E então, nosso guia para um planejamento estratégico eficiente foi útil para você? Veja mais conteúdos sobre gestão em nosso blog!

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Por: Fernanda Capella

Coordenadora de Marketing de Conteúdo, copywriter, especialista em conteúdo de performance e comunicação. Amante de tecnologia, negócios, café e gastronomia.

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