A economia criativa, um termo relativamente novo, pode ser definida como o conjunto de negócios que geram valor econômico a partir de suas bases nos capitais cultural e intelectual, além da criatividade.

Esse modelo já vem sendo observado ao longo das duas últimas décadas, nas quais surgiram produtos, serviços e plataformas que conectam o lado criativo com o lucro ― duas esferas, consideradas por muitos, como opostas.

Quando se complementam, alcançam diversas possibilidades capazes de gerar novos negócios. E o Brasil é pioneiro neste mercado!

Segundo dados da Firjan, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro,  R$171,5 bilhões foram movimentados pela economia criativa ― o que representa cerca de 2,61% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Para que você entenda o atual panorama da economia criativa, preparamos este artigo com os principais dados do assunto, como influencia o mercado atual e quais são os seus setores existentes. Acompanhe!

Como surgiu a economia criativa?

O termo economia criativa possui como principal matéria-prima o capital intelectual, ou seja, é carregado por valores simbólicos. Trata-se do oposto do que ocorre na economia tradicional, que sobrevive à base de commodities.

O seu surgimento ocorreu em 2001, na Austrália, quando o governo daquele país passou a incorporar, em sua estratégia de política e macroeconomia, um importante apoio a 13 setores capazes de gerar renda.

Em comum, esses setores têm como base o capital intelectual e a criatividade ― os pilares da economia criativa. São eles: 

  • Consumo: arquitetura, design, moda e publicidade;
  • Cultura: artes cênicas, expressões culturais, música e patrimônio;
  • Mídias: audiovisual e editorial;
  • Tecnologia: biotecnologia, Tecnologia da Informação e Comunicação, pesquisa e desenvolvimento.

Sendo assim, as empresas que têm origem em uma dessas áreas, atuando de forma individual ou coletiva, capaz de impulsionar o desenvolvimento local, regional e nacional, fazem parte da economia criativa.

No mesmo ano, o autor John Howkins escreveu o livro Economia Criativa ― Como Ganhar Dinheiro com Ideias Criativas. Nele, o conceito desse modelo de economia foi definido.

Por que é importante conhecer e valorizar a economia criativa?

São nos tempos turbulentos que mexem com a economia e a política que a economia criativa fica completamente evidente como uma importante fonte de geração de empregos e renda.

Em momentos de crises a melhor estratégia de uma empresa é buscar a coesão de pensamento  de sua equipe.

O estudo da Firjan, que mencionamos na introdução deste artigo, mostra que a economia criativa conta com uma força de trabalho com aproximadamente 837 mil trabalhadores formalizados.

Em plena pandemia do novo Coronavírus, na qual todos foram pegos de surpresa, empresários e empreendedores precisaram buscar novas alternativas para sobreviver à crise que paralisou o mundo.

De acordo com as gestoras de economia criativa do Sebrae, Denise Marques e Jane Blandina, em entrevista ao jornalístico A Tarde, a área de eventos ― que dependem dos recursos da bilheteria ― são os mais afetados.

Na mesma entrevista, o eventólogo Rodrigo Tsêdec mostra que, mesmo com essa situação, o setor tem buscado uma adaptação e tentado migrar do presencial para o digital.

Entram nesse movimento as transmissões ao vivo feitas por artistas, os eventos on-line e até o envio de materiais tanto por e-mail quanto por correspondência física.

Tsêdec afirma que um evento que migra para o on-line consegue algumas vantagens, como captar um público ainda maior e a possibilidade de aumentar a quantidade de dias sem impactar tanto nos custos.

É nesse período de distanciamento social que os criativos encontraram nos canais digitais a fonte de renda para a própria sobrevivência. Alguns estão dando aulas e outros consultoria. Diante de uma crise, qualquer país pode perder sua capacidade de investir ou parte da infraestrutura, mas a criatividade de sua população sempre existirá!

Como essa economia está mudando o mercado?

Pessoas criativas vão além do óbvio, portanto, buscam soluções não apenas para as situações existentes. Elas vão atrás inclusive das necessidades que nem apareceram entre a população.

Um bom exemplo de economia criativa é a plataforma Queremos!. Ela conecta fãs, artistas e produtores para promover shows. Mas seu diferencial está no nível de fama das bandas, pois elas não são tão conhecidas no mercado.

Entretanto, esses artistas têm fãs suficientes em determinadas localidades, o que possibilita a organização de uma apresentação ao vivo. Ganha a banda, os fãs, os meios de transporte, a rede hoteleira e as casas de show e eventos.

Chris Anderson, autor do livro A Cauda Longa, mostra em sua obra que a cultura e a economia estão mudando de foco. Passaram de produtos e serviços com alta saída no mercado para uma quantidade maior de nichos.

A teoria da cauda longa tem tudo a ver com o consumidor atual, que busca experiências personalizadas. Por esse motivo, negócios da economia criativa têm conquistado cada vez mais espaço e, em algumas situações, com desempenho superior em relação aos setores tradicionais.

A economia criativa está mudando o mercado, inclusive no que tange os planos econômicos dos países. O Reino Unido adotou esse modelo em suas estratégias governamentais. Por lá, os empregos na indústria criativa saltaram 5% entre 2014 e 2015. Já o mercado tradicional teve um aumento inferior, de apenas 2%.

Enquanto isso, no Brasil, o Mapeamento da Indústria Criativa, edição de 2019, mostra um cenário de recuperação por causa dos eventos políticos e econômicos que aconteceram nos últimos anos.

Mesmo assim, o estudo mostra que a procura pelos criativos é crescente e que esses profissionais estão assumindo, com frequência cada vez maior, papéis estratégicos no mercado de trabalho.

Dentre esses papéis, destacamos aqueles que são capazes de auxiliar as organizações na compreensão dos problemas e necessidades dos consumidores, bem como os que trabalham para promover e manter a imagem das empresas.

Isso significa que há espaço no mercado para o investimento na economia criativa, até para quem deseja abrir o próprio negócio.

Quais exemplos despontam na economia criativa?

Listamos 4 casos de sucesso de negócios que fazem parte da economia criativa. Veja!

1. Beliive

Beliive é a plataforma em que o tempo é a sua moeda. Fundada por Lorrana Scarpioni, a ideia é trocar conhecimentos e habilidades com outras pessoas.

Funciona assim: você pode fazer uma hora de aula de inglês em troca de um crédito equivalente ao mesmo tempo, mas que será destinado para, por exemplo, aprender fotografia.

Ao se cadastrar no site, o usuário ganha cinco moedas. Cada uma equivale a 1 hora do tempo de outro usuário. Sendo assim, em vez de gastar dinheiro de verdade, ocorre a permuta de conhecimentos.

Como usuário, é possível cadastrar qualquer atividade que se tenha conhecimento para ganhar mais moedas.

2. Catarse

Essa plataforma de financiamento coletivo, ou crowdfunding, cujo objetivo é auxiliar o impulsionamento de projetos que não saíam do papel por falta de recursos financeiros, foi criada em 2011.

Cidadãos comuns passaram a ter a oportunidade de contribuir voluntariamente para que os projetos cadastrados se tornassem realidade. A iniciativa, pioneira em nosso país, é atualmente a maior do mercado. Seu lucro vem da comissão cobrada em cima de cada projeto inscrito. O valor é baseado no total arrecadado.

Para quem participa do Catarse, uma das maiores vantagens é poder receber brindes, incentivos e até o acesso a uma das primeiras unidades dos produtos. Trata-se, portanto, de uma relação de ganho mútuo.

3. Giral

Consultoria estratégica e de gestão para investimentos comunitários, a Giral descobre iniciativas sustentáveis e causas sociais para grandes corporações ― um grupo que está sempre em busca de engajamento com a sociedade.

A Giral propõe um plano de estratégias para o projeto, recomendando o que deve ser feito. Quando é contratada, executa o planejamento estratégico da ação, direcionando o negócio para o desenvolvimento do trabalho de sustentabilidade.

Sua vantagem é a expertise em causas sociais, possibilitando a rápida conexão entre propósitos e projetos. Assim, a Giral consegue um alto envolvimento tanto da empresa quanto do público ao qual será destinada cada ação.

4. ProjectHub

Para se obter um investidor, os projetos são avaliados a partir de diversos critérios.

Outra plataforma de colaboração é a ProjectHub, uma rede de empreendedores criativos que acreditam no potencial de transformação.

A ProjectHub conecta empreendedores, investidores e marcas que estão em busca de colaboração. Logo, quem deseja empreender tem um meio para encontrar potenciais investidores.

Para conseguir um investidor, cada projeto é avaliado a partir do modo como transformará a vida do público-alvo a partir de diversos critérios, como as bases educacional, cultural, esportiva e social.

Google, 3M, Elo, Mercado Livre, Du Pont, YouTube e Heineken são algumas das empresas que fazem parte dessa plataforma.

Quais as melhores práticas da economia criativa?

Agora que você sabe o que é economia criativa e como ela funciona, veja quais são as melhores práticas para empreender nesse mercado!

1. Tenha um propósito

Ele surge a partir do entendimento da necessidade das pessoas para oferecer produtos ou serviços relevantes. Por isso, foco na ideia! Deixe o lucro ser a consequência.

2. Faça um bom planejamento, mas viabilize o negócio

É importante que sua ideia seja amadurecida, entretanto, que não se restrinja somente ao papel. Plataformas citadas neste artigo podem ajudá-lo a viabilizar o negócio.

Para conseguir investidores, trabalhe em produtos e serviços que sejam simples e viáveis, principalmente escalonáveis.

3. Comece com um protótipo

Nem todo mundo consegue visualizar seu produto ou serviço da mesma maneira que você. Por isso, lance-o mesmo que não esteja finalizado. É possível aperfeiçoá-lo com o tempo e feedbacks dos usuários.

4. Mensure o impacto

Use métricas! Pesquisas qualitativas e quantitativas são excelentes para atrair investidores, pois eles querem resultados e, para que tomem uma decisão, precisam de uma base sólida.

5. Capacite-se em gestão

Saiba administrar e fazer gestão de pessoas. Converse com quem tem experiência para obter boas ideias e implementá-las em seu negócio.

6. Use a tecnologia a seu favor

A tecnologia é a grande aliada do empreendedor atual. Canais digitais barateiam custos ― quando não eliminam ― e podem viabilizar suas ideias.

7. Procure outros negócios disruptivos

Pequenas, médias e grandes empresas que têm produtos e serviços disruptivos, ou seja, que rompem com os padrões já estabelecidos no mercado. É o caso das soluções iFood Refeição, iFood Card e iFood Office.

iFood Refeição é o vale-refeição digital custo zero e sem taxas extras para as empresas. Já o iFood Card ajuda negócios a presentearem colaboradores! E o iFood Office elimina a os processos burocráticos de reembolso de alimentação das companhias.

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Por: Fernanda Capella

Coordenadora de Marketing de Conteúdo, copywriter, especialista em conteúdo de performance e comunicação. Amante de tecnologia, negócios, café e gastronomia.

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