Condutas abusivas e desvios de comportamento no ambiente de trabalho podem ser causados por falha de comunicação entre os colaboradores, gerando um impacto negativo nos resultados da empresa e precisando de uma comunicação não violenta

Por isso, muitas organizações buscam alternativas para resolver os problemas de comunicação em suas equipes, e uma das mais bem-sucedidas é a técnica criada pelo estadunidense Marshall Rosenberg, e conhecida comunicação não violenta, ou CNV.

A comunicação é a base para relacionamentos profissionais e pessoais mais agradáveis e saudáveis, e a CNV cumpre o papel de ajudar na redução de conflitos e na melhora da qualidade do ambiente de trabalho, fatores essenciais para o crescimento de uma empresa e sua consolidação no mercado.

Assim, trabalhar pela comunicação não agressiva entre os funcionários é essencial para manter um clima organizacional harmônico e produtivo. 

Pensando nisso, criamos este artigo para que você entenda melhor o que é a comunicação não violenta, como ela funciona e por que você deve adotá-la na sua empresa. Boa leitura!

O que é a comunicação não violenta

Saiba mais sobre esse conceito tão discutido na atualidade.

O conceito de comunicação não violenta foi criado pelo psicólogo Marshall B. Rosenberg, na década de 1960, e se baseia em estar consciente das próprias necessidades e também das dos outros, a fim de falar sem ferir e ouvir sem se sentir ofendido e nem agredido.

Como o próprio autor descreve em seu livro Comunicação Não Violenta:

“A Comunicação Não Violenta se baseia em habilidades de linguagem e comunicação que fortalecem a capacidade de continuarmos humanos, mesmo em condições adversas. […] Nossas palavras, em vez de serem reações repetitivas e automáticas, tornam-se respostas conscientes, firmemente baseadas na consciência do que estamos percebendo, sentindo e desejando”.

Como surgiu a comunicação não violenta e por que é utilizada até hoje

Na década de 1960, os Estados Unidos ainda sofriam com a segregação racial explícita, mas algumas escolas desafiavam essa realidade. Para isso, era necessário promover uma cultura pacífica e a integração entre negros e brancos.

Foi com esse objetivo que Rosenberg desenvolveu o conceito de comunicação não violenta, que hoje em dia é aplicado em diversas organizações ao redor do mundo, desde escolas até empresas multinacionais.

Isso porque a comunicação não agressiva nada mais é que uma reflexão a respeito das próprias necessidades e das necessidades das outras pessoas. O intuito é identificar o que está por trás das palavras para ter mais empatia e compreender o ponto de vista do outro e, assim, caminhar para a diminuição dos conflitos.

Tanto quem emite uma mensagem quanto quem a recebe pode praticar a comunicação não violenta. Quem ouve pode pensar a respeito das necessidades que estão por trás da mensagem recebida, e quem emite pode fazer uma autoanálise e perceber as suas próprias necessidades ao se expressar.

Assim, além de ser uma maneira de se comunicar com as outras pessoas, a CNV é, também, um jeito de refletir sobre as próprias atitudes e as motivações que nos levam a agir de determinada maneira. 

Isso colabora para uma melhor compreensão dos problemas, melhora o autoconhecimento e ajuda na tomada de decisões.

Os 4 pilares da comunicação não violenta

1. Observação

O primeiro pilar da CNV é observar sem julgar. Por exemplo, quando você percebe que algum colega está frequentemente resolvendo assuntos pessoais no horário de trabalho, ao invés de julgá-lo como preguiçoso, por que não ser mais empático e refletir “será que ele está passando por algum problema?” “Será que ele precisa de ajuda?”.

A partir disso, coloque-se disponível para conversar e oferecer o que você puder. É importante que você passe um feedback a partir da comunicação não agressiva.

Além disso, ao passar o seu feedback para os colegas, tente evitar as palavras “nunca”, “sempre” e “jamais”. Por exemplo, você quer dizer a um colaborador que ele não cumpre prazos. Evite a comunicação agressiva, no lugar de dizer “você nunca cumpre prazos!”   diga “eu tenho visto que seus últimos prazos estão atrasados”. 

2. Sentimento

O segundo pilar da comunicação não violenta é se expressar com honestidade em relação ao que acontece no dia a dia da empresa. Por exemplo, você e um colega sempre entregam projetos juntos e ele deixa para fazer tudo em cima da hora. Você pode falar para ele que isso te deixa inseguro e frustrado e vocês podem resolver essa situação.

Mas lembre-se que ninguém tem culpa do que você sente, talvez outras pessoas não teriam o mesmo sentimento no seu lugar. Desta forma, mesmo comunicando seu sentimento, busque não criar grandes expectativas e sim avaliar o contexto e o que pode ser mudado.

3. Necessidades

Identificar as suas necessidades e as do outro também é importante. No exemplo que citamos anteriormente, mencionamos um colega que deixa para fazer tudo em cima da hora. Às vezes, essa pessoa tem mais responsabilidades que você e, consequentemente, menos tempo. 

Logo, ela conta mais com a sua pessoa para fazer essas demandas. Seja empático e tente entender as situações separadamente. A comunicação pode resolver muitos problemas. 

4. Pedido

Para uma comunicação não violenta no trabalho, os pedidos têm que ser feitos da mesma maneira que os 3 pilares citados anteriormente. Analise as suas necessidades e, se precisar realizar um pedido mais sério a alguém, prefira a linguagem positiva. Ao invés de falar “não grite!”, diga “eu prefiro que você fale mais baixo”. 

A importância da CNV para uma empresa

Manter uma comunicação saudável na empresa é essencial para o bem estar de todos.

No meio empresarial é comum a percepção de que o funcionário recebe para trabalhar e deve deixar os sentimentos do lado de fora da empresa.

É comum o discurso de que, para crescer, é preciso ter foco exclusivo no trabalho, bater as metas e ser viciado em trabalho, inclusive fora da empresa.

Mas, dessa forma, não há tempo para os cuidados consigo mesmo e com os seus relacionamentos, tanto dentro quanto fora do ambiente de trabalho e, isso pode afetar a produtividade dos colaboradores e os resultados da sua empresa.

Essa cultura causa um sentimento exacerbado de competitividade, que prejudica os relacionamentos nas empresas, entre os colegas e também entre as lideranças e suas equipes. Essa situação pode refletir negativamente nos resultados da companhia no longo prazo.

Em seu workshop Introdução à Comunicação Não Violenta, Marshall afirma que a sociedade vive em uma cultura que pune quem erra e recompensa quem acerta

Essa forma de ver a vida impede o indivíduo de sentir empatia pelas outras pessoas e por ele mesmo, pois a culpa pelo erro o faz pensar que não merece a recompensa.

Tudo isso pode ser trabalhado ao se aplicar a comunicação não violenta no ambiente de trabalho.

Ao perceberem que podem baixar a guarda e mostrar as suas fraquezas, os colaboradores e líderes têm mais facilidade para se identificar com os colegas e aceitar que não é necessário criticar, culpar ou ofender uns aos outros.

Leia também: Clima e cultura organizacional no trabalho remoto

Vantagens da comunicação não violenta

São diversos benefícios que a comunicação não violenta pode trazer para o mundo corporativo. Listamos abaixo alguns deles:

Empatia 

A empatia e o autoconhecimento podem trazer um ambiente mais agradável e sem tantos julgamentos. Às vezes, as pessoas estão passando por coisas que você não sabe e julgá-las não vai ajudar em nada a produtividade ou o bem-estar da empresa. Por isso, sempre se coloque no lugar do outro.

Além disso, o autoconhecimento e a empatia consigo mesmo podem fazer com que você compreenda melhor quais são as suas necessidades no dia a dia corporativo. 

Escuta

Escute antes de falar. Pode parecer bobo, mas você já reparou quantas vezes você corta a fala dos seus colegas no dia a dia? Isso acontece frequentemente no ambiente corporativo. Quando uma pessoa não escuta e já quer falar, mostra que ela não estava tendo uma escuta ativa.

Além de a escuta ativa apresentar diversos benefícios para o ambiente de trabalho, ela também ajuda a compreender melhor os outros sem julgamentos. 

Responsabilidade 

As pessoas precisam ter mais responsabilidade pela forma que falam ou agem, sem culpabilizar os outros. Por exemplo, você foi rude com alguém, ao invés de culpabilizar o outro dizendo que a pessoa faz você perder a paciência, entenda que foi você que se estressou.

Aplicar a comunicação não violenta no ambiente de trabalho gera diversos benefícios. Veja os principais:

  • Aumento da moral no ambiente de trabalho;
  • Aumento da produtividade de cada um dos colaboradores;
  • Diminuição do stress;
  • Otimização do potencial dos colaboradores;
  • Redução das faltas;
  • Resolução mais rápida e eficiente dos conflitos.

Isso não quer dizer que se a comunicação não agressiva for aplicada na sua empresa não haverá conflitos, mas sim que será mais fácil chegar a soluções viáveis e eficazes. Os conflitos, podem se tornar discussões positivas e terão uma solução mais rápida. 

Governos e autoridades de diversos países como Alemanha, Dinamarca, EUA, Inglaterra e Israel aplicam técnicas de CNV para prevenir casos de agressividade.

No Brasil, a técnica foi utilizada para a criação de grupos de mediação de conflitos em 20 escolas da Grande São Paulo, com o objetivo de fortalecer a cultura de responsabilidade e paz.

Como identificar uma comunicação agressiva?

Confira como identificar uma comunicação violenta por esses pontos:

Normalmente, as pessoas que costumam adotar uma comunicação agressiva têm alguns hábitos em comum:

  • Falar muito alto;
  • Interromper os outros com frequência;
  • Demorar muito para passar a palavra;
  • Usar sarcasmo;
  • Fazer barulho intencionalmente com as suas tarefas enquanto os outros falam.

Se um ou mais colaboradores da empresa apresentarem esses comportamentos, vale uma conversa para tratar do assunto. 

Como lidar com casos de comunicação violenta no trabalho?

Primeiramente é preciso estabelecer uma cultura organizacional de paz e empatia na sua empresa, para que os colaboradores que não se enquadrem nesse comportamento e tenham uma comunicação violenta possam ser mais facilmente alertados para o problema.

Para passar essa mensagem a todos da sua empresa, é válido utilizar reuniões, palestras, encontros, dinâmicas de grupo e tudo mais que estiver ao seu alcance para conscientizar as pessoas da necessidade de praticar a comunicação não violenta.

A partir disso, será possível corrigir possíveis casos de comunicação agressiva no ambiente de trabalho, sempre com conversas em particular com os envolvidos para deixar clara a importância da CNV para a cultura organizacional e o bom ambiente de trabalho.

Como estabelecer um diálogo saudável

Veja, a seguir, 10 dicas práticas para manter uma comunicação não violenta no ambiente de trabalho:

  1. Comunique-se sem julgamentos sobre “certo” e “errado”;
  2. Não faça comparações entre as pessoas;
  3. Jamais utilize um tom acusatório;
  4. Deixe suas necessidades claras;
  5. Questione os rótulos colocados sobre as pessoas;
  6. Busque pelos pontos em comum em um conflito, a solução começa assim;
  7. Coloque-se sempre no lugar os outros;
  8. Não tenha medo de mostrar suas vulnerabilidades;
  9. Antes de falar, pense com cuidado no efeito de suas palavras;
  10. Não responda ofensas.

Oferecer um ambiente de trabalho agradável, com redução da comunicação violenta e com maior qualidade de vida para seus colaboradores é uma estratégia de sucesso para o crescimento da sua empresa e com certeza vai gerar excelentes resultados.

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Por: Flávia Padilha

Psicóloga e especializada no Canadá em mercado e negócios, Flávia atuou por 8 anos na área de RH em treinamento e desenvolvimento de empresas. Na equipe iFood, trabalha com suporte psicoterapêutico, treinamentos, palestras sobre saúde mental e emocional e orientações de gestão. Acredita que bem-estar e saúde emocional são um dos alicerces do ser humano para alavancar suas histórias de sucesso, tem o desejo de sempre ajudar os colaboradores a encontrar seus potenciais e o equilíbrio. Flávia é mãe e, nas horas vagas, dançarina, amante de exercícios ao ar livre e boa ouvinte de histórias e pessoas.

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